As clínicas privadas de diálise, que tratam mais de 11 mil doentes, 92% daqueles que em Portugal sofrem de Renal Crónica e que fazem hemodiálise, mantiveram a sua normal atividade no decorrer da greve geral de 3 de junho.
“A hemodiálise não é uma consulta de rotina nem um exame eletivo, mas um tratamento essencial, sem o qual os doentes entram em risco de vida em questão de horas”, explica Paulo Dinis, presidente da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL). Por isso, ao contrário de muitos outros serviços de saúde, as clínicas de diálise não param.
No “apagão” de 28 de abril do ano passado, as clínicas também operaram normalmente, mesmo quando o país ficou cerca de 12 horas sem eletricidade, sem telecomunicações e, em algumas zonas, sem água. As mais de 120 clínicas de diálise ativaram imediatamente os seus geradores e, por todo o País, foi possível realizar três a quatro turnos de diálise por clínica, mantendo ainda alguma capacidade de reserva. Nos momentos em que o combustível ameaçou não ser suficiente, as clínicas recorreram ao trabalho em rede, cooperando entre si para garantir a continuidade dos tratamentos.
O mesmo voltou a acontecer durante a passagem da depressão Kristin e já tinha uma realidade quando a pandemia de Covid-19 assolou o país. Durante estes períodos mais complexos, os doentes continuaram a receber os seus tratamentos com a mesma qualidade e dedicação de sempre.