O setor da diálise é feito de números, mas sobretudo, de pessoas. Os doentes e seus familiares e amigos e claro, os profissionais de saúde.
O setor da diálise é feito de números. 13. 13 mil doentes, 90% dos quais tratados por uma rede de clínicas privadas. 18. 18 anos sem uma subida justa do preço compreensivo pago pelo Estado aos prestadores privados para que estes assegurem tratamentos de qualidade superior. 10. 10% de aumento do custo com recursos humanos em apenas 2 anos.
O setor da diálise é feito de números, mas sobretudo, de pessoas. Os doentes e seus familiares e amigos e claro, os profissionais de saúde. A sustentabilidade dos cuidados de diálise em Portugal depende, acima de tudo de médicos, enfermeiros, e todos os profissionais que diariamente asseguram o funcionamento das unidades de diálise e que constituem o recurso mais valioso do setor. No entanto, são também o seu maior desafio.
A escassez de profissionais de saúde deixou de ser uma preocupação futura para se tornar uma realidade quotidiana. A dificuldade em recrutar e reter profissionais qualificados tem vindo a agravar uma situação que ameaça a capacidade de resposta do sistema.
Esta realidade tem uma tradução direta na estrutura de custos das unidades de diálise. Os Recursos Humanos representam hoje a principal componente de despesa do setor, tendo o seu peso aumentado de cerca de 45% dos custos totais em 2024 para mais de 55% do total dos custos.
Este aumento ocorre num contexto particularmente desafiante. As unidades convencionadas têm de responder a exigentes padrões de qualidade e segurança, garantindo simultaneamente o acesso dos doentes a um tratamento que é vital e inadiável.
A sustentabilidade do setor exige, por isso, uma abordagem integrada. É necessário continuar a investir na valorização das carreiras, reforçar a formação especializada, criar condições para atrair novos profissionais e promover a retenção dos que já exercem funções. Mas é igualmente indispensável que os mecanismos de financiamento acompanhem esta realidade, permitindo às unidades manter elevados padrões assistenciais sem comprometer a sua viabilidade económica. É impensável acreditar que os centros de hemodiálise e os seus profissionais vivem numa redoma, imune aos efeitos da erosão que dura há 18 anos.
António Neves, Secretário-Geral da ANADIAL
Publicado, a 21 de julho de 2027, em: https://visao.pt/opiniao/ponto-de-vista/2026-07-21-recursos-humanos-na-dialise-um-desafio-para-a-sustentabilidade-dos-cuidados/